Neste módulo far-se-á uma breve introdução às razões que conduziram ao interesse pela biodiversidade urbana e a integrá-la no grande objectivo de reduzir a perda de biodiversidade mundial. Nas cidades e aglomerados populacionais podem existir habitats e corredores verdes que acolhem e permitem a movimentação de espécies comuns e até raras. Dado o valor elevado dos serviços que prestam aos habitantes (desde actividades de lazer até ao fornecimento de alimentos), os jardins, hortas, terrenos baldios e florestas que circundam as cidades são geralmente apreciados. No entanto, frequentemente descuramos o seu valor em termos de biodiversidade e como devem ser incorporados nos planeamentos urbanísticos.
Em Viena, defendendo que os “baldios” além de valor biológico têm também valor estético, o arquitecto Hundertwasser incorporou áreas tradicionalmente destinadas ao jardim do edifício mas deixou-as sem intervenção humana, ao “abandono”. Este arquitecto incorporou também arbustos e árvores nos terraços e em vários locais dos edifícios. Embora estas medidas fossem inicialmente pensadas no bem estar dos habitantes, que assim poderiam seguir o ritmo das estações do ano, fomentou de forma singular a biodiversidade de uma cidade. Geralmente vivemos casos menos vanguardistas que estes e, na verdade, o que é, e como se favorece, a biodiversidade urbana?
Certas áreas urbanas têm grande diversidade biológica, quer pela manutenção de espécies locais, quer pela introdução planeada, ou sem intenção, de outras espécies. Podemos adoptar a definição da Convenção das Nações Unidas para a biodiversidade biológica, no entanto, de forma a adoptar uma definição mais prática para a biodiversidade urbana iremos assim seguir a recomendação da CBD mas defini-la de uma forma diferente.
Não existem indicadores estabelecidos para a medição da biodiversidade urbana. No entanto existem algumas tentativas nomeadamente a intenção de desenvolver um conjunto de indicadores de biodiversidade Urbana por parte da Agência Ambiental Europeia. Pretende-se assim desenvolver formas de medir quantitativa e qualitativamente a biodiversidade urbana que irão ser exploradas neste módulo. Em termos do estado da biodiversidade urbana, faremos uma abordagem aos casos mais estudados do norte da Europa onde o povoamento é esparso, com edificação entre pedaços interligados de floresta (mais ou menos) nativa. Faremos uma comparação e discussão com as cidades Mediterrânicas onde o povoamento é mais concentrado.
quinta-feira, 5 de março de 2009
Módulo 1 - O que é a biodiversidade urbana?
quarta-feira, 4 de março de 2009
Módulo 2 – Estilos de vida: Consumo sustentável, energia e mobilidade
Engenheiro Civil pelo Instituto Superior Técnico com o grau de Mestre em Transportes pelo Imperial College London. Trabalhou no Centro de Sistemas Urbanos e Regionais da Universidade Técnica de Lisboa e no Centre for Transport Studies of the University of London como Investigador Associado. Como consultor de transportes e gestão da mobilidade foi coordenador operacional do Plano de Mobilidade de Almada. Escreveu artigos e fez numerosas comunicações e seminários em vários países europeus sobre diversas temáticas relacionadas com transportes e mobilidade sustentável.
Possui mestrado integrado em engenharia do ambiente, ramo de gestão e sistemas ambientais pela Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Nova de Lisboa (FCT-UNL). Concluiu em 2008 a dissertação intitulada "Produção e Consumo Sustentável – Conceptualização de uma ferramenta para a melhoria sistémica do desempenho ambiental dos agregados domésticos".
Neste módulo utilizar-se-ão essencialmente elementos visuais fortes sobre as temáticas. A questão da mobilidade de pessoas e bens será enquadrada pelo assunto mais vasto e genérico do Consumo Sustentável. A sessão prática visa aumentar a participação activa dos formandos e para tal utilizará a teoria dos jogos e visionamento de vídeo sobre os temas abordados na sessão teórica.
A produção e consumo sustentável são assuntos de extrema importância nos dias actuais. O planeta está a ser explorado para além da sua capacidade, traduzindo-se em impactes ambientais que vêm a afectar o nosso bem-estar e das gerações futuras. A crise ambiental – as alterações climáticas, a perda de biodiversidade, entre outros problemas – provêem dos nossos padrões de produção e consumo.
A mobilidade é uma forma de consumo para atingir um fim. Na generalidade dos casos não é um fim em si mesmo. Sempre que nos movimentamos no espaço geramos consequências na vida, espaço, saúde dos outros. Temos que começar a encarar a mobilidade sobre a perspectiva mais vasta do consumo sustentável e consequentemente mais responsável – os impactes nos outros, o problema do aumento geral do consumo e da mobilidade em particular, forças motrizes que levam as pessoas a consumir, etc. Como alterar o paradigma autista que transformou as nossas ruas em esgotos de tráfego para o duvidoso benefício de alguns?
quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009
Módulo 3 - Benefícios ambientais, económicos e sociais
Henrique Miguel Pereira é actualmente Investigador do Programa Ciência 2007 na Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa. Foi Director do Parque Nacional da Peneda-Gerês de 2006 a 2007 e do Dept. de Gestão de Áreas Classificadas do Norte do Instituto de Conservação da Natureza e da Biodiversidade de 2007 a 2009. Foi Investigador Convidado no Centro de Biologia Ambiental da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa durante o mesmo período. De 2005 a 2007 foi Prof. Auxiliar Convidado no Instituto Superior Técnico, e de 2003 a 2005 foi o Coordenador da Avaliação de Portugal do Millennium Ecosystem Assessment. Henrique Miguel Pereira doutorou-se em Ciências Biológicas pela Universidade de Stanford em 2002, tendo anteriormente obtido o grau de Mestre em Biofísica pela Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa em 1998, e a licenciatura em Eng. Electrotécnica e de Computadores pelo Instituto Superior Técnico em 1995. É autor de mais de duas dezenas de publicações científicas na área da Ecologia e da Biodiversidade, incluindo publicações na Science, Trends in Ecology and Evolution, Ecology, Ecography, Ecological Applications, Ecology and Society e American Naturalist. É ainda co-autor do Guia de Indicadores de Biodiversidade solicitado pelo Parlamento Europeu ao Conselho Europeu de Academias de Ciência, e do Relatório Síntese sobre Biodiversidade do Millennium Ecosystem Assessment. Apresentou comunicações em mais de uma dezena de conferências internacionais, incluindo conferências da Ecological Society of America, da Society for Conservation Biology, e da American Association for the Advancement of Science.
Licenciada em Biologia pela Faculdade de Ciências de Lisboa em 2002, encontra-se actualmente a concluir o Doutoramento nessa instituição. O seu trabalho tem sido dedicado ao estudo de padrões de biodiversidade e de resposta ao fogo em florestas nativas de carvalho alvarinho e carvalho negral. Os seus interesses de investigação incluem ainda o estudo da relação entre biodiversidade, serviços de ecossistema e o bem-estar humano, tendo colaborado activamente no Avaliação Portuguesa do Millennium Ecosystem Assement.
Resumo
Neste módulo é introduzido o conceito de serviços dos ecossistemas, i.e. os benefícios directos e indirectos que as pessoas recebem dos ecossistemas. Apresentam-se as quatro categorias dos serviços dos ecossistemas: serviços de produção, serviços de regulação, serviços culturais e serviços de suporte. É apresentada a estrutura conceptual de avaliações ambientais proposta pelo Millennium Ecosystem Assessment que tem quatro componentes: bem-estar humano, promotores indirectos de alterações, promotores directos de alterações e serviços dos ecossistemas. São discutidas as interacções entre estas componentes bem como a relação entre a biodiversidade e os serviços dos ecossistemas. Por fim, conclui-se com alguns exemplos de avaliação económica da biodiversidade e dos serviços dos ecossistemas.